Foral

CARTA DO FORAL

 

"Em nome de Cristo. Eu, Conde Henrique, juntamente com minha esposa Teresa, Filha do grande Rei Afonso, Imperador de Toledo.

Foi do nosso agrado concedermos a vós, homens de Sátão, que habitais dentro e fora as herdades e povoações de Sátão, concedermos, sim, e outorgarmos um Foral bom em razão do que vós usastes para connosco e por nos terdes agasalhado em vossa casa.

Por isso, nós vos damos este foral para vos guiardes por ele em qualquer parte por onde andeis. E não deixeis de o seguir, nem vós nem os vossos descendentes.

 

Assim: o que tiver um boi de trabalho, dê um moio. O que tiver dois bois, dê dois moios. E sejam, destes moios, uma terça parte de trigo e duas partes de segunda. E tudo isto, pela vossa velha medida que já tínheis, quando aí vos fixastes em Sátão.

Mais dareis a sexta parte do vinho, do linho e das favas que cultivardes.

 

E se alguém for cavaleiro e morrer e ficarem a mulher ou os filhos, continuem a sua herdade e a sua casa a ser honradas com as honras da cavalaria, mesmo que fiquem sem cavalo durante três anos.

 

E se um peão morrer, seja homem seja mulher, e tiver uma herdade, que essa herdade passe para os seus descendentes, ou a venda, ou a dê, ou faça o que quiser.

 

E se se levantar querela entre vós, vão quatro ou cinco homens bons, escolhidos pelo concelho, e julguem a questão, juntamente com o vosso Juiz. E o que assim resolverem, seja cumprido.

 

E quanto a caça de montaria, se for de espera, dê o caçador um coelho. Se for de armadilha, dê dois lombos (por ano).

Este foral nós o damos e com nossa autoridade o mandamos. E se nós ou alguém nosso descendente tentar infringi-lo, seja ele quem for, que fique excomungado, a lepra o atinja dos pés à cabeça, e sofra como Judas, o traidor, os castigos do inferno.

Foi feita esta carta de foral no dia 9 de Maio da era de 1149.

 

Eu Conde Henrique mandei fazer esta carta e a confirmo pela minha própria mão.

Eu Teresa confirmo. Mendo Viegas representante do bispo Gonçalo na Santa Sé de Coimbra.

 

Egas Gozendes, senhor de Baião, confirmo. Egas Moniz, senhor de São Martinho, confirmo. pelágio, testemunho. Mendo Moniz, senhor de Penafiel, confirmo. Gonçalo, testemunho. Paio Soares, senhor da Maia, confirmo. Fernando Fernandes, senhor de Lamego, confirmo. Pedro, bispo, chanceler do Conde e cónego da Igreja de Guimarães, a escreveu".